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Izabel Markoski

Gerente comercial da Tagme

Especialista em vendas B2B, negociação e gestão de equipes comerciais. Gerente Comercial na Tagme, com mais de 6 anos de experiência no setor de tecnologia e serviços. Formada em Administração, tenho uma abordagem focada em resultados e no fortalecimento do relacionamento com os clientes.

Um roteiro prático para reduzir atrito na jornada, organizar a operação e criar recorrência, com ajustes em cardápio, canais e entrega.

O delivery deixou de ser um canal complementar e passou a fazer parte da estratégia de crescimento de muitos restaurantes. Ele amplia o alcance do salão, abre novas ocasiões de consumo e cria uma vitrine permanente para a marca, desde que a operação e a experiência estejam alinhadas com o posicionamento do estabelecimento.

Ao mesmo tempo, vender mais no delivery não depende apenas de “estar em mais apps”. Uma pesquisa Ipsos-Ipec indica que 60% dos pedidos são feitos fora dos aplicativos e que mensagens instantâneas lideram como canal de pedido, o que mostra como a jornada é mais distribuída do que parece.

Na prática, o crescimento tende a vir quando três alavancas evoluem juntas: conversão, ticket médio e recorrência, com consistência entre cardápio, comunicação e capacidade de produção.

Neste artigo, organizamos as ações mais eficazes para aumentar vendas no delivery, com sugestões aplicáveis e uma lógica simples de priorização, para ajudar o restaurante a crescer com previsibilidade e boa experiência do cliente.

Mesa de restaurante com duas pessoas segurando copos de cerveja, enquanto um celular exibe um cardápio digital para fazer pedidos. Ao centro, um display com QR code para acesso ao menu, reforçando a automação de pedidos no local.

O que significa vender mais no delivery

Aumentar vendas no delivery costuma parecer, à primeira vista, uma questão de volume, mais pedidos, mais alcance e mais presença. Só que, no dia a dia, crescer com consistência depende menos de “fazer mais” e mais de organizar melhor o caminho até o pedido, desde a escolha do cliente até a expedição com padrão.

Na prática, existe uma forma simples de enxergar onde estão as oportunidades:

  • Conversão é quando a vitrine funciona. O cliente encontra o restaurante, entende rapidamente o que está sendo oferecido, confia e finaliza o pedido sem hesitar por falta de informação, fotos ruins, tempo confuso ou cardápio difícil de navegar.
  • Ticket médio é quando a composição do pedido melhora. Não se trata de empurrar itens, e sim de criar uma lógica de sugestão que faça sentido para a experiência, acompanhamentos que combinam, bebidas que completam o prato, sobremesas que chegam bem.
  • Recorrência é quando a experiência entrega previsibilidade. Um delivery que chega bem, com comunicação alinhada e padrão de qualidade, tende a transformar um pedido pontual em hábito.

10 dicas para melhorar o delivery e aumentar vendas

Vamos focar em três frentes bem objetivas: reduzir atrito na compra, aumentar ticket médio e estimular recorrência. Veja as dicas a seguir:

1- Padronize o delivery como vitrine, com cardápio “pronto para decidir”

Antes de pensar em volume, garanta que o cliente entenda rápido o que pedir e o que vai receber.

  • Organize categorias simples: Entradas, Principais, Sobremesas, Bebidas e destaque “Mais pedidos”.
  • Revise “itens que viajam bem”: se perde textura em 30 minutos, ajuste receita/embalagem ou tire do delivery.
  • Tenha um padrão por tipo de prato: molho separado, crocante à parte, finalização orientada.

2- Fortaleça o canal direto com um caminho único de pedido

O canal direto funciona quando é fácil de acessar e fácil de concluir.

  • Um link único “Pedir agora” para usar em bio, WhatsApp e Google.
  • WhatsApp como apoio, com respostas rápidas: “Fazer pedido”, “Acompanhar pedido”, “Dúvidas”.
  • Rastreie a origem (Instagram, Google, WhatsApp) para saber o que traz pedido de verdade.

3- Reduza atrito com descrições boas, fotos reais e checkout enxuto

Muita desistência acontece por falta de clareza, não por preço.

  • Descrição em 2 linhas: o que é e o que acompanha. Avise quando algo vai separado.
  • Porção quando importa: “serve 1”, “serve bem 2”, peso/quantidade.
  • Foto real e consistente (melhor simples e honesta do que genérica).
  • Checkout sem etapas desnecessárias e tempo estimado bem visível.

4- Ajuste capacidade e fluxo de produção antes de acelerar demanda

Vender mais sem ajustar o “quanto dá para produzir bem” costuma virar atraso, erro e avaliação ruim.

  • Defina capacidade por faixa horária (ex.: almoço, jantar e pico) e limite pedidos quando necessário.
  • Crie uma linha de expedição: conferência do pedido, lacre, itens frios separados, talheres/guardanapo quando aplicável.
  • Padronize tempos por tipo de prato e sinalize no cardápio o que leva mais tempo (sem complicar).

5- Organize o cardápio para vender melhor, não para oferecer tudo

Delivery performa melhor com curadoria do que com excesso de opções.

  • Menu de delivery ≠ menu completo do salão: mantenha o que tem boa saída e viaja bem.
  • Destaque 6 a 10 itens “carro-chefe” e empurre o restante para baixo na navegação.
  • Crie variações inteligentes (tamanho, proteína, molho) em vez de multiplicar pratos parecidos.

6- Aumente ticket médio com combos e sugestões bem naturais

Ticket médio sobe quando a escolha do cliente fica mais fácil, não quando ele recebe mais opções.

  • Combo pronto (principal + acompanhamento + bebida) com nome simples e foto do conjunto.
  • Sugestões no item: “vai bem com…” (ex.: sobremesa que chega bem, bebida que combina).
  • Adicionais coerentes: molho extra, porção de queijo, finalização, itens que não complicam a cozinha.

7- Use um sistema de delivery próprio para centralizar canal, cardápio e operação

Um sistema próprio de delivery, como o da Tagme, ajuda a vender mais quando reduz a dependência de marketplaces e melhora a execução do pedido de ponta a ponta.

  • Venda direta, com um fluxo de pedido simples e rápido.
  • Cardápio do salão no delivery, com atualização fácil, evitando informação desencontrada entre canais.
  • Mais informações sobre o cliente para entender recorrência e preferências.
  • Atualização em tempo real para cozinha e operação, reduzindo ruídos em horários de pico.
  • Gestão de fidelidade, com mecânicas como cashback e gift cards.
  • Taxa de entrega por distância (km), com regra transparente para o cliente.

8- Faça pós-venda curto e consistente para aumentar recorrência

Recorrência melhora quando o restaurante fecha o ciclo do pedido, entendendo o que funcionou e corrigindo o que gera atrito.

  • Pesquisa rápida com 1 a 3 perguntas (produto, entrega, experiência geral).
  • Motivos padronizados para feedback (tempo, temperatura, embalagem, item faltando, ponto do preparo).
  • Ação simples de retorno: mensagem agradecendo e um convite para pedir de novo com uma sugestão do “próximo pedido” (baseada no que a pessoa já comprou).

9- Cuide da entrega com regras claras e comunicação de tempo

O cliente decide com mais segurança quando entende quanto custa entregar e quando vai chegar.

  • Áreas e horários bem definidos, sem deixar o cliente descobrir só no checkout.
  • Taxa por distância e política clara (ex.: raio de entrega, mínimo por região, exceções).
  • Tempo estimado honesto e atualizado, principalmente em picos, para reduzir ansiedade e contato no WhatsApp.

10- Acompanhe indicadores e revise toda semana

Vender mais fica mais fácil quando existe rotina de ajuste e acompanhamento de métricas.

  • Conversão por canal (onde as pessoas entram e onde finalizam).
  • Ticket médio e itens mais adicionados (o que puxa o pedido para cima).
  • Tempo médio de preparo e expedição (o que trava a operação).
  • Avaliação e motivos recorrentes (o que mais afeta recompra).

Crescer no delivery é uma soma de clareza, consistência e rotina

Aumentar vendas no delivery quase nunca é sobre uma única ação. O resultado costuma aparecer quando deixamos a jornada mais simples para o cliente, organizamos a operação para sustentar picos sem perder padrão e criamos um ciclo de melhoria contínua com base em dados e feedback.

Quando cardápio, canais e fluxo de produção estão alinhados, o restaurante ganha previsibilidade, reduz ruídos e consegue evoluir conversão, ticket médio e recorrência com mais estabilidade. A partir daí, a pergunta deixa de ser “como vender mais amanhã” e vira “como crescer de um jeito que se mantém bom ao longo do tempo”.

 

Publicado em 13 de maio de 2026.

Revisado por Larissa Infante, especialista de marketing da Tagme.

Perguntas Frequentes​

O que mais aumenta as vendas no delivery, mais divulgação ou mais organização do cardápio?

Na maioria dos casos, o ganho mais rápido vem de reduzir dúvidas e atrito na compra. Um cardápio bem curado, com fotos reais, descrições claras, porções bem definidas e uma jornada de pedido simples tende a melhorar a conversão antes mesmo de aumentar investimento em divulgação.

Como aumentar o ticket médio no delivery sem complicar a operação?

Funciona melhor quando as sugestões são coerentes e fáceis de executar, como acompanhamentos que combinam com o prato principal, bebidas que completam a refeição e itens que não exigem uma nova etapa de produção. O foco é facilitar a composição do pedido, não ampliar o número de escolhas.

Vale a pena investir em canal direto mesmo usando marketplaces?

Sim, porque canais se complementam. O canal direto costuma trazer mais previsibilidade e permite conhecer preferências e frequência de compra, o que ajuda a trabalhar recorrência e relacionamento. O ponto é garantir que o caminho do pedido seja rápido, claro e consistente em informação e prazos.